Copa do Mundo de 1934
Hoje vamos falar da terceira edição da copa,que foi na França.
A Copa do Mundo de 1938 foi a terceira Copa do Mundo disputada, e contou com a participação de 16 países. 36 países participaram das eliminatórias. O campeonato ocorreu na França.
Foi um mundial tenso, marcado pela gravíssima situação internacional, que levaria a Europa e o mundo à Segunda Guerra Mundial, pouco mais de um ano depois do certame. A Áustria que fora anexada pela Alemanha de Hitler não participou do mundial, pois foi obrigada à ceder seus jogadores à seleção alemã. As grandes forças do mundial eram a Itália, campeã mundial, a Hungria, a Tchecoslováquia e o Brasil. Foi a primeira copa em que o Brasil realmente se organizou, evitando as eternas e infrutíferas brigas entre cariocas e paulistas. O Brasil tinha um grande jogador, o 1º grande gênio da seleção em copas, Leônidas da Silva. Na estréia um épico, Brasil 6 x 5 Polônia. Um jogo cheio de alternativas decidido só na prorrogação. Uma guerra, com vários jogadores contundidos em ambas as equipes. Durante as Oitavas aconteceu a primeira grande zebra em copas, empate de 3 x 3 entre Cuba e Romênia. No jogo desempate deu Cuba por 2 x 1. A Suíça empata com a Alemanha em 1 x 1 e vence o jogo desempate por 4 x 2, despachando a seleção teuto-austríaca da copa. Os italianos venceram a Noruega por 2 x 1 e os húngaros golearam as Índias Orientais Neerlandesas (hoje Indonésia) por 6 x 0.
Nas quartas o Brasil jogou duas vezes contra a Tchecoslováquia, 1 x 1 e 2 x 1 (jogo desempate). A Itália eliminou a França , dona da casa, por 3 x 1. Os húngaros avançaram com seu futebol técnico eliminando a surpreendente Suíça por 2 x 0. O destaque coube à Suécia que não jogou as Oitavas (seu adversário seria a Áustria) que espantou a zebra cubana por 8 x 0. Na semifinal o Brasil, sem Leônidas (poupado), perdeu para a Itália, campeã mundial, por 2 x 1. Os húngaros confirmam sua força e goleiam a Suécia por 5 x 1. A seleção brasileira ganhou da Suécia a decisão do 3º lugar por 4 x 2, na primeira grande participação canarinho em copas.
Na final, a Itália de Vittorio Pozzo, o técnico, e do grande Giuseppe Meazza, contra a forte Hungria. Itália 4 x 2 Hungria, e a Azzurra era o primeiro time a ser bicampeão mundial de futebol. Leônidas, o diamante negro, foi o artilheiro do mundial 38. Pozzo, até hoje, é o único técnico campeão mundial em duas oportunidades como treinador.
Eliminatórias
Um total de 37 equipes se inscreveram para a disputa das Eliminatórias da Copa do Mundo FIFA de 1938, competindo por um total de 16 vagas na fase final. Pela primeira vez o atual campeão e o país-sede se classificaram automaticamente. Portanto, França, como sede, e Itália, os defensores do título, classificaram-se automaticamente, deixando 14 vagas em disputa.
Com as nuvens da guerra fechando o tempo sobre a Europa, a terceira Copa do Mundo da FIFA aconteceu em meio a muita tensão. Mesmo assim, o futebol proporcionou momentos de alegria aos torcedores em um festival que durou 15 dias. O Brasil encantou o mundo com um estilo exuberante, mas foi a Itália que se sagrou campeã graças à sua força e regularidade.
Além do técnico Vittorio Pozzo, somente quatro campeões mundiais em 1934 voltaram a defender a Itália na competição em solo francês. Dois deles, os meio-campistas Giuseppe Meazza e Giovanni Ferrari, tiveram participações decisivas ao lado do atacante Silvio Piola, que marcou dois gols na vitória por 4 a 2 sobre a Hungria na decisão. Com o resultado, a Itália foi a primeira seleção da história a conquistar um bicampeonato consecutivo da Copa do Mundo da FIFA, feito que só viria a ser igualado pelo Brasil 28 anos depois.
A competição em 1938 foi o último grande evento esportivo antes da guerra no ano seguinte. A Espanha já sofria com a guerra civil e não pôde viajar até a vizinha França. Já a anexação da Áustria pela Alemanha reduziu o número de participantes de 16 para 15. Na verdade, diversos jogadores austríacos apareceram na seleção alemã. Entre os sul-americanos, a Argentina (que queria ter feito o torneio em casa) e o Uruguai resolveram não participar, enquanto o Brasil viajou à Europa para fazer em uma encharcada Estrasburgo um dos jogos mais emocionantes de toda a história da Copa do Mundo da FIFA.
Leônidas faz sete
O atacante brasileiro Leônidas da Silva marcou três gols na vitória brasileira por 6 a 5 sobre a Polônia na primeira fase do torneio, mas quem entrou mesmo para os livros de história foi o polonês Ernest Wilimowski. Ele foi o primeiro jogador a marcar quatro gols em uma partida da Copa do Mundo da FIFA. Os dois primeiros empataram um jogo que estava 3 a 1 para o Brasil e o terceiro garantiu o placar de 4 a 4 que levou a partida para a prorrogação. Mas Leônidas, que havia aberto o marcador, marcou mais dois no tempo extra e impôs uma vantagem que o quarto gol de Wilimowski não conseguiu igualar. Para Leônidas, era só o começo: ele foi o artilheiro da competição com sete gols.
Duas seleções tiveram a sua primeira e única participação no maior evento do futebol mundial. As Índias Orientais Holandesas (que viriam a se chamar Indonésia após a independência) voltaram para casa após levarem 6 a 0 da Hungria. Já Cuba empatou em 3 a 3 com a Romênia, forçou um jogo extra e chegou à segunda fase após derrotar os romenos por 2 a 1. Em ambas as partidas, os cubanos contaram com os gols de um jogador chamado Socorro. Pois esse mesmo deve ter sido o grito de desespero dos atletas caribenhos enquanto eram demolidos por 8 a 0 no confronto diante da Suécia na fase seguinte.
Outro destaque da primeira semana foi a vitória da Suíça sobre a Alemanha em jogo extra após um empate em 1 a 1. Os suíços saíram perdendo por dois gols, mas viraram e venceram por 4 a 2. A Alemanha era treinada por Sepp Herberger, que levaria a estreante Alemanha Ocidental ao título mundial na Suíça 16 anos depois. Mas foi o homem no outro banco, o austríaco Karl Rappan, que atraiu a atenção pelo uso de um líbero no sistema que ficou conhecido como o "ferrolho suíço".
Por causa do clima político, a presença das seleções da Alemanha e da Itália gerou protestos contra o fascismo. Enquanto os alemães foram para casa cedo, a Azzurra de Pozzo foi crescendo a cada partida, galvanizada pelo desejo de mostrar que a vitória em 1934 não havia acontecido somente pela vantagem de jogar em casa.
Itália elimina a anfitriã
Depois de superar a Noruega com um gol de Piola na prorrogação, a seleção medalha de ouro nas Olimpíadas de 1936 eliminou a França nas quartas-de-final diante de 59 mil espectadores no Estádio Olímpico de Colombes, na periferia de Paris. As duas primeiras edições da Copa do Mundo da FIFA haviam ficado com a nação anfitriã, mas a escrita chegou ao fim após Piola garantir com dois gols a vitória da Itália, que jogou de preto por ordem do ditador Benito Mussolini.
Aquela não foi a única polêmica das quartas-de-final. O encontro entre Brasil e Tchecoslováquia em Bordeaux acabou em confusão com três cartões vermelhos e dois membros fraturados no empate em 1 a 1. O goleiro tchecoslovaco František Plánička quebrou o braço, enquanto o atacante Oldřich Nejedlý, artilheiro da competição quatro anos antes, teve a perna quebrada depois de empatar o confronto.
Leônidas, que abrira o marcador no primeiro jogo, foi um dos dois brasileiros mantidos para a repetição da partida. Ele marcou o gol de empate antes de o Brasil virar e garantir a classificação para a sua primeira semifinal. Após os dois confrontos, Leônidas não foi escalado pelo treinador Ademar Pimenta para a semifinal contra a Itália em Marselha. A escolha equivocada acabou custando caro, pois a Azzurra fez 2 a 1 em um jogo abaixo das expectativas. De volta para a decisão do terceiro lugar, Leônidas marcou dois gols sobre a Suécia e encerrou a campanha em que ganhou o apelido de Diamante Negro dos torcedores europeus.
A outra semifinal ocorreu entre Hungria e Suécia. Os escandinavos queriam comemorar o 80º aniversário do Rei Gustavo V com uma vitória, mas foram os húngaros que confirmaram a condição de melhor ataque da competição com uma vitória por 5 a 1 no Parque dos Príncipes. Três dos gols foram marcados por Gyula Zsengellér.
Mas aquela foi a última felicidade da Hungria de Alfréd Schaffer, que foi dominada na final pela Itália de Ferrari e Meazza, os "artesãos da vitória" conforme o jornal L'Auto do dia seguinte. Pál Titkos chegou a empatar para os húngaros logo após Gino Colausi abrir o marcador aos seis minutos, mas no intervalo a Itália já vencia por 3 a 1 graças a gols de Piola e Colausi novamente. Em todos os três gols, a jogada fora criada por Meazza. György Sárosi renovou as esperanças da Hungria aos 25 do segundo tempo, mas o rápido, forte e produtivo Piola deu números finais ao placar com mais um gol para garantir o bicampeonato da Itália.
Jogos
| Oitavas-de-final | Quartas-de-final | Semifinais | Final | |||||||||||
| 4 de junho* - Paris | ||||||||||||||
| | 1 (2) | |||||||||||||
| 12 de Junho - Lille | ||||||||||||||
| | 1 (4) | |||||||||||||
| | 0 | |||||||||||||
| 5 de junho - Reims | ||||||||||||||
| | 2 | |||||||||||||
| | 6 | |||||||||||||
| 16 de junho – Paris | ||||||||||||||
| | 0 | |||||||||||||
| | 5 | |||||||||||||
| 5 de junho - Lyon | ||||||||||||||
| | 1 | |||||||||||||
| | w/o | |||||||||||||
| 12 de Junho - Antibes | ||||||||||||||
| | - | |||||||||||||
| | 8 | |||||||||||||
| 5 de junho - Toulouse | ||||||||||||||
| | 0 | |||||||||||||
| | 3 (2) | |||||||||||||
| 19 de Junho – Paris | ||||||||||||||
| | 3 (1) | |||||||||||||
| | 2 | |||||||||||||
| 5 de junho - Paris | ||||||||||||||
| | 4 | |||||||||||||
| | 3 | |||||||||||||
| 12 de Junho - Paris | ||||||||||||||
| | 1 | |||||||||||||
| | 1 | |||||||||||||
| 5 de junho - Marselha | ||||||||||||||
| | 3 | |||||||||||||
| | 2 | |||||||||||||
| 16 de junho - Marselha | ||||||||||||||
| | 1 | |||||||||||||
| | 2 | |||||||||||||
| 5 de junho - Strasbourg | ||||||||||||||
| | 1 | Terceiro lugar | ||||||||||||
| | 6 | |||||||||||||
| 12 de Junho – Bordeaux | 19 de junho - Bordeaux | |||||||||||||
| | 5 | |||||||||||||
| | 1 (2) | | 2 | |||||||||||
| 5 de junho - Le Havre | ||||||||||||||
| | 1 (1) | | 4 | |||||||||||
| | 3 | |||||||||||||
| | 0 | |||||||||||||
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O jornalista Vittorio Pozzo se tornou o primeiro (e até hoje único) técnico a conquistar mais de uma Copa. E o fez em torneios consecutivos.
Contra a França, a Itália seria obrigada a usar uma camisa de outra cor, já que o azul estava reservado para a seleção da casa. Assim, os italianos se apresentaram com camisa, calção e meias negras, a cor do fascismo.
A Áustria foi anexada pela Alemanha nazista em 1938 e deixou de ser um país independente. Por isso, seus jogadores foram incorporados pela seleção alemã e não pôde se apresentar contra a Suécia pelas oitavas-de-final. Foi o único W.O. da história das Copas.
A Alemanha nazista se reforçou com jogadores austríacos em suas fileiras. Mas na sua partida de abertura, não passou de um empate em 1-1 com a Suíça. No jogo desempate, ocorrido cinco dias depois, a Alemanha chegou a abrir 2-0. Com o resultado, foi enviado um telégrafo a Adolf Hitler informando o resultado. Mas os suíços não se deixaram abater e viraram o placar, vencendo por 4-2, eliminando a equipe alemã.
Cuba era a única equipe da Concacaf na competição. No jogo inicial conseguiram um empate em 3-3 com a Romênia. O destaque da equipe era o goleiro Benito Carvajales, que na partida impediu cinco gols certos dos romenos. Quatro dias depois, o goleiro não participou do jogo-desempate. Em seu lugar, jogou Juan Ayra. Carvajales estava comentando a partida para uma emissora de rádio de seu país. Neste jogo, Cuba eliminou a Romênia por 2-1, com gols de Héctor Socorro e Fernandez, com Dobay fazendo o gol romeno. Foi a primeira vez na história que uma equipe da Concacaf chegava às quartas-de-final do torneio.
A Espanha era uma das favoritas ao Mundial, mas não pôde participar por estar vivendo sua Guerra Civil.
O atacante polonês Ernest Wilimowski fez quatro gols na partida de estréia, mas sua seleção perdeu do Brasil por 5 x 6 e foi eliminada. Nenhum jogador tem uma média de gols por jogo tão alta em Copas.
Nesse mesmo jogo, o Brasil usou pela primeira vez a camisa azul. Como seus adversários poloneses usavam camisas brancas (mesma cor que o Brasil usava na época), o jeito foi jogar com camisas azuis,sem escudo, que eram utilizadas nos treinamentos.
Nesse mesmo jogo, o centroavante brasileiro Leônidas da Silva marcou um gol de pé descalço. No segundo tempo da partida, com a chuva que caiu no gramado, e o barro que inundou o campo, Leônidas teve a sua chuteira estourada, descolando a sola do cabedal. Enquanto sua chuteira era consertada, o atacante fez um gol sem as chuteiras, após o rebote de uma cobrança de falta.
O Brasil enfrentou a Tchecoslováquia em Bordeaux, no jogo em que ficou conhecido como "Batalha Campal". A fraca arbitragem do húngaro Paul Von Hertzka fez com que os jogadores de ambos os lados abusassem das jogadas duras. Resultado: 1-1 após a prorrogação, com Machado e Zezé Procópio do Brasil e Riha da Tchecoslováquia expulsos. O goleiro tcheco František Plánička deixou o campo com o braço quebrado, e o artilheiro tcheco Oldřich Nejedlý levou tanto pontapé que acompanhou seu companheiro de equipe a caminho do hospital.
Com o empate, foi realizada uma nova partida de desempate dois dias depois. As duas equipes levaram seus jogadores reservas. Para surpresa geral, esse jogo transcorreu em paz e calmaria. Deu Brasil, por 2-1, com gols de Leônidas da Silva e Roberto, com Kopecky marcando para os tchecos.
Depois da vitória italiana sobre o Brasil, o jornal "La Gazzetta dello Sport", influenciado pela ideologia fascista, escreveu: "Saudamos o triunfo da inteligência branca italiana sobre a força bruta dos negros".
A Itália era a única seleção com um avião à disposição para os deslocamentos dentro da França. As demais equipes tinham de usar trem ou ônibus.
Mas nem tudo foram flores para a Itália. Após vencer a França nas quartas-de-final em Paris, a Itália foi obrigada a viajar para Marselha para enfrentar o Brasil nas semifinais. Durante o voo o avião sofreu uma pane, e foi obrigado a pousar em Toulouse. A Itália teve que viajar até Marselha de trem.
Foi a primeira Copa do Mundo transmitida por rádio para vários países do mundo. No Brasil, os mais antigos diziam que a voz do locutor falhava constantemente, às vezes por até um minuto acontecendo, inclusive, casos do gol narrado não chegar ao Brasil e o ouvinte só saber minutos depois com a reconfirmação do resultado final.
Na base da força
Anexada por Hitler, a Áustria cedeu jogadores à Alemanha para a disputa da Copa do Mundo
Inusitado
O elástico do calção de Meazza rasgou ante Brasil; mesmo assim, ele fez gol
Homem de papel
O austríaco Sindelar desafio Hitler ao se negar a defender a Alemanha na Copa
Se vira
O atacante Leônidas da Silva marcou gol de pé descalço em jogo contra a Polônia
Apressado come cru
A Alemanha vencia a Suíça por 2 a 1, quando, no intervalo, integrantes da comissão técnica alemã resolveram enviar um telegrama contando sobre a vitória. No entanto, na etapa final, a Suíça fez três gols e ficou com a vaga para a fase seguinte.
Viva voz
Os brasileiros puderam acompanhar pela primeira vez a transmissão ao vivo, pelo rádio, das partidas da seleção. Em São Paulo, milhares de pessoas aglomeravam-se nas proximidades do Viaduto do Chá para ouvir Gagliano Netto narrar os jogos.
Direto e reto
Ao contrário do que ocorreu 4 anos antes com a Itália, a anfitriã França não precisou passar pelas eliminatórias para participar da Copa do Mundo.
Luto ideológico
Durante a Copa, a Itália abandonou o tradicional azul das camisas pelo preto do fascismo, após ordens de Benito Mussolini.
Gordinhos
Os quinze dias de viagem para a França a bordo do navio Arlanza foram problema para a seleção. Os jogadores engordaram, apesar dos exercícios físicos no convés. Romeu, o que tinha mais tendência a engordar, saiu do Brasil com 70 kg e desembarcou na França com 79 kg.
Gafe oficial
O presidente da França, Albert Labrun, foi convidado para dar o pontapé inicial da Copa do Mundo, na partida em que a Suíça empatou com a Alemanha em 1 a 1. O dirigente conseguiu a proeza de errar o chute, arrancando um punhado de grama do solo e risos dos torcedores.
Tour de France
Durante os seus oito dias de disputa do Mundial, a seleção brasileira percorreu 4.000 quilômetros pelo território francês.
Pelo alto
Atual campeã mundial, a Itália era a única seleção do torneio que dispunha de avião para viajar entre as sedes da competição.
Soy loco por ti, América
O Brasil foi o único país da América do Sul que se propôs a encarar uma longa viagem de navio para participar da Copa do Mundo na França.
Estreia decepcionante
As Índias Ocidentais Holandesas, atual Indonésia, foram o primeiro país da Ásia a disputar a Copa. Levou 6 a 0 da Hungria e ficou em último lugar.
O Artilheiro
Leônidas da Silva
| Leônidas da Silva |
A Máquina
A primeira bicampeã
Após o primeiro título mundial, conquistado em casa em 1934, a seleção italiana chegou à França como grande favorita. O time era ainda melhor do que o de quatro anos antes. Os italianos venceram todos os quatro jogos que disputaram. De volta ao país, os atletas foram recebidos na sede do governo, em Roma, e receberam um belo prêmio em dinheiro de Benito Mussolini.
O Craque
Silvio Piola
País:Itália Idade:25 anos Jogos:4 Gols:5
Rápido e oportunista, o artilheiro Silvio Piola era a grande referência do ataque italiano. No total, marcou cinco gols no torneio, entre eles alguns importantes como o da vitória sobre a Noruega, no tempo extra, e os dois da final contra a Hungria. Piola só passou em branco no duelo contra a seleção brasileira. Malandro e provocador, porém, fez com que Domingos da Guia o atingisse sem bola no pênalti que deu à Itália a vitória sobre o Brasil. Piola tem excelente média de gols com a Azurra: fez 30 gols em 34 partidas disputadas.
A Muralha
Frantisek Planicka
Ao lado do atacante Oldrich Nejedly, o goleiro Planicka era o grande astro da seleção da Tchecoslováquia. Os dois jogadores eram os poucos remanescentes do time vice-campeão quatro anos antes, na Itália. Planicka não conseguiu evitar a vitória brasileira nas quartas de final. Mesmo assim, foi eleito o melhor goleiro do Mundial na França.
A Surpresa
Hungria
A Hungria participava da Copa pela segunda vez. Em sua estreia, quatro anos antes, na Itália, a equipe havia caído nas quartas de final diante da Áustria. Na França, no entanto, a Hungria foi ainda mais longe. Foi à decisão com campanha perfeita, mas não conseguiu segurar os italianos na final. Mas a Hungria já havia marcado o seu nome na história.
A Garfada
Brasil 2 x 1 Tchecoslováquia
A segunda partida das quartas de final entre Brasil e Tchecoslováquia estava tensa, com 1 a 1 no placar no começo do segundo tempo. Em um chute rasteiro de Senecky, o goleiro Walter se atrapalhou e deixou a bola entrar. Sorte do Brasil que o árbitro francês não viu, e Roberto, pouco tempo depois, marcou o gol da vitória brasileira.
O Mico
W.O. da Áustria
A Suécia nem teve de jogar para passar pela primeira fase. Adversária dos suecos na estreia, a Áustria havia sido anexada pela Alemanha de Hitler três meses antes da Copa. Com isso, a Fifa decretou o W.O. da Áustria, embora vários jogadores austríacos estivessem jogando pela Alemanha em outra partida das oitavas de final.
A Zebra
Cuba 2 x 1 Romênia
Primeiro país da América Central a disputar uma Copa do Mundo, Cuba estreou contra a Romênia, que, ao lado do Brasil, era o único país a participar das três edições anteriores. No primeiro jogo, um empate de 3 a 3. No segundo, com grande atuação do goleiro Juan Ayra, Cuba virou para 2 a 1 e conseguiu a surpreendente classificação.
Acontecimentos
A Itália era a equipe a ser batida em 1938. Além de ter vencido a edição anterior da Copa, havia levado também a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Berlim, dois anos antes. E com o regime fascista aproximando-se do seu auge, conquistar o bi era questão de honra para o ditador Benito Mussolini.
Por tudo isso, a seleção italiana enfrentou também a antipatia dos torcedores franceses. Na estreia contra a Noruega, o técnico Vittorio Pozzo ordenou aos seus comandados que fizessem a saudação fascista. Mais de 10 mil torcedores presentes ao estádio Velodrome, em Marselha, vaiaram a atitude. Um ano depois começou a Segunda Guerra Mundial.
Mesmo com um elenco bastante reformulado em relação àquele que havia triunfado quatro anos antes - embora ainda fosse comandada por Pozzo e tivesse Giuseppe Meazza como craque -, a Itália não perdeu o brilho e derrubou todos os quatro adversários que cruzaram seu caminho.
O mais difícil deles foi a Noruega, rival batida na semifinal olímpica em 1936. O jogo foi praticamente uma reprise. Os italianos saíram na frente, mas cederam o empate no final e só conseguiram a vitória na prorrogação, graças a um gol de Piola. Em seguida, a Itália cruzou com a França e, apesar da pressão da torcida, não deu chances à anfitriã - venceu por 3 a 1, com mais dois gols de Piola.
Na semifinal contra o Brasil, a "Azurra" contou com a ajuda dos próprios brasileiros para conseguir a vitória. O técnico Ademar Pimenta não escalou Leônidas da Silva, principal craque do torneio até então, alegando contusão. O jogador, entretanto, teria condições de jogar a partida.
A lambança continuou em campo. Quando o Brasil já perdia por 1 a 0, Domingos da Guia agrediu o artilheiro Piola dentro da área e cedeu um pênalti aos rivais. Após receber um pontapé do italiano, o brasileiro revidou dentro da área e o juiz marcou a penalidade. Apesar dos protestos dos brasileiros, Meazza bateu com perfeição e ampliou a vantagem. No fim do jogo, Romeu ainda diminuiu para a seleção brasileira, mas não foi o suficiente para impedir a caminhada italiana rumo ao título.
O resultado de 2 a 1 acabou com a empolgação dos brasileiros, que faziam sua melhor campanha em Copas, e levou os italianos à segunda final consecutiva. Apesar de todo o clima desfavorável para a decisão, com a torcida francesa protestando nas ruas contra o fascismo, a Itália entrou em campo confiante e fez uma grande partida.
Com dois gols de Colaussi e mais dois de Piola - o melhor jogador italiano no torneio -, a "Azurra" ganhou da Hungria por 4 a 2 e se tornou a primeira seleção a levantar a taça Jules Rimet duas vezes.
Estatísticas da Copa de 1938
Jogos
Duração:16 dias Países :15 Jogos:18 Prorrogações :6 Decisões por pênaltis:0 Cidades-sede:9
Gols
Pró:84 Contra:1 Média:4,66 Jogadores que marcaram :43 Melhor ataque:15 gols (Hungria)Pior ataque:0 gol ((HOL e IHO)Melhor defesa :2 gols (Noruega) Pior defesa:12 gols (Cuba)
Público
Total:483.000 pessoas Média:26.833 por jogo.Estádios:10 Maior público:59.000 (ITA x FRA) Menor público:7.000 (SUE x CUB)
Arbitragem
Número de árbitros:13Países com árbitro na Copa:9
Dinheiro e Mídia
'Bicho' por vitória brasileira:
800 francos
'Bicho' por empate brasileiro:
400 francos
Rádios brasileiras que transmitiram a Copa na íntegra:
5
Outros Números
Semanas de treinos do Brasil em Caxambu (MG):
2
Aparelhos de rádio existentes no Brasil na época:
350.000
Assinaturas em telegrama enviado para a seleção na França:
3.000
Média de ocupação dos estádios:
72%

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