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domingo, 3 de março de 2013

Copa do Mundo de 1938


WorldCup1938poster.jpg

                                                        Copa do Mundo de 1934
                             Hoje vamos falar da terceira edição da copa,que foi na França.

A Copa do Mundo de 1938 foi a terceira Copa do Mundo disputada, e contou com a participação de 16 países. 36 países participaram das eliminatórias. O campeonato ocorreu na França.
Foi um mundial tenso, marcado pela gravíssima situação internacional, que levaria a Europa e o mundo à Segunda Guerra Mundial, pouco mais de um ano depois do certame. A Áustria que fora anexada pela Alemanha de Hitler não participou do mundial, pois foi obrigada à ceder seus jogadores à seleção alemã. As grandes forças do mundial eram a Itália, campeã mundial, a Hungria, a Tchecoslováquia e o Brasil. Foi a primeira copa em que o Brasil realmente se organizou, evitando as eternas e infrutíferas brigas entre cariocas e paulistas. O Brasil tinha um grande jogador, o 1º grande gênio da seleção em copas, Leônidas da Silva. Na estréia um épico, Brasil 6 x 5 Polônia. Um jogo cheio de alternativas decidido só na prorrogação. Uma guerra, com vários jogadores contundidos em ambas as equipes. Durante as Oitavas aconteceu a primeira grande zebra em copas, empate de 3 x 3 entre Cuba e Romênia. No jogo desempate deu Cuba por 2 x 1. A Suíça empata com a Alemanha em 1 x 1 e vence o jogo desempate por 4 x 2, despachando a seleção teuto-austríaca da copa. Os italianos venceram a Noruega por 2 x 1 e os húngaros golearam as Índias Orientais Neerlandesas (hoje Indonésia) por 6 x 0.
Nas quartas o Brasil jogou duas vezes contra a Tchecoslováquia, 1 x 1 e 2 x 1 (jogo desempate). A Itália eliminou a França , dona da casa, por 3 x 1. Os húngaros avançaram com seu futebol técnico eliminando a surpreendente Suíça por 2 x 0. O destaque coube à Suécia que não jogou as Oitavas (seu adversário seria a Áustria) que espantou a zebra cubana por 8 x 0. Na semifinal o Brasil, sem Leônidas (poupado), perdeu para a Itália, campeã mundial, por 2 x 1. Os húngaros confirmam sua força e goleiam a Suécia por 5 x 1. A seleção brasileira ganhou da Suécia a decisão do 3º lugar por 4 x 2, na primeira grande participação canarinho em copas.
Na final, a Itália de Vittorio Pozzo, o técnico, e do grande Giuseppe Meazza, contra a forte Hungria. Itália 4 x 2 Hungria, e a Azzurra era o primeiro time a ser bicampeão mundial de futebol. Leônidas, o diamante negro, foi o artilheiro do mundial 38. Pozzo, até hoje, é o único técnico campeão mundial em duas oportunidades como treinador.

Eliminatórias

Um total de 37 equipes se inscreveram para a disputa das Eliminatórias da Copa do Mundo FIFA de 1938, competindo por um total de 16 vagas na fase final. Pela primeira vez o atual campeão e o país-sede se classificaram automaticamente. Portanto, França, como sede, e Itália, os defensores do título, classificaram-se automaticamente, deixando 14 vagas em disputa.

Com as nuvens da guerra fechando o tempo sobre a Europa, a terceira Copa do Mundo da FIFA aconteceu em meio a muita tensão. Mesmo assim, o futebol proporcionou momentos de alegria aos torcedores em um festival que durou 15 dias. O Brasil encantou o mundo com um estilo exuberante, mas foi a Itália que se sagrou campeã graças à sua força e regularidade.

Além do técnico Vittorio Pozzo, somente quatro campeões mundiais em 1934 voltaram a defender a Itália na competição em solo francês. Dois deles, os meio-campistas Giuseppe Meazza e Giovanni Ferrari, tiveram participações decisivas ao lado do atacante Silvio Piola, que marcou dois gols na vitória por 4 a 2 sobre a Hungria na decisão. Com o resultado, a Itália foi a primeira seleção da história a conquistar um bicampeonato consecutivo da Copa do Mundo da FIFA, feito que só viria a ser igualado pelo Brasil 28 anos depois.

A competição em 1938 foi o último grande evento esportivo antes da guerra no ano seguinte. A Espanha já sofria com a guerra civil e não pôde viajar até a vizinha França. Já a anexação da Áustria pela Alemanha reduziu o número de participantes de 16 para 15. Na verdade, diversos jogadores austríacos apareceram na seleção alemã. Entre os sul-americanos, a Argentina (que queria ter feito o torneio em casa) e o Uruguai resolveram não participar, enquanto o Brasil viajou à Europa para fazer em uma encharcada Estrasburgo um dos jogos mais emocionantes de toda a história da Copa do Mundo da FIFA.

Leônidas faz sete
O atacante brasileiro Leônidas da Silva marcou três gols na vitória brasileira por 6 a 5 sobre a Polônia na primeira fase do torneio, mas quem entrou mesmo para os livros de história foi o polonês Ernest Wilimowski. Ele foi o primeiro jogador a marcar quatro gols em uma partida da Copa do Mundo da FIFA. Os dois primeiros empataram um jogo que estava 3 a 1 para o Brasil e o terceiro garantiu o placar de 4 a 4 que levou a partida para a prorrogação. Mas Leônidas, que havia aberto o marcador, marcou mais dois no tempo extra e impôs uma vantagem que o quarto gol de Wilimowski não conseguiu igualar. Para Leônidas, era só o começo: ele foi o artilheiro da competição com sete gols.
Duas seleções tiveram a sua primeira e única participação no maior evento do futebol mundial. As Índias Orientais Holandesas (que viriam a se chamar Indonésia após a independência) voltaram para casa após levarem 6 a 0 da Hungria. Já Cuba empatou em 3 a 3 com a Romênia, forçou um jogo extra e chegou à segunda fase após derrotar os romenos por 2 a 1. Em ambas as partidas, os cubanos contaram com os gols de um jogador chamado Socorro. Pois esse mesmo deve ter sido o grito de desespero dos atletas caribenhos enquanto eram demolidos por 8 a 0 no confronto diante da Suécia na fase seguinte.
Outro destaque da primeira semana foi a vitória da Suíça sobre a Alemanha em jogo extra após um empate em 1 a 1. Os suíços saíram perdendo por dois gols, mas viraram e venceram por 4 a 2. A Alemanha era treinada por Sepp Herberger, que levaria a estreante Alemanha Ocidental ao título mundial na Suíça 16 anos depois. Mas foi o homem no outro banco, o austríaco Karl Rappan, que atraiu a atenção pelo uso de um líbero no sistema que ficou conhecido como o "ferrolho suíço".
Por causa do clima político, a presença das seleções da Alemanha e da Itália gerou protestos contra o fascismo. Enquanto os alemães foram para casa cedo, a Azzurra de Pozzo foi crescendo a cada partida, galvanizada pelo desejo de mostrar que a vitória em 1934 não havia acontecido somente pela vantagem de jogar em casa.

Itália elimina a anfitriã
Depois de superar a Noruega com um gol de Piola na prorrogação, a seleção medalha de ouro nas Olimpíadas de 1936 eliminou a França nas quartas-de-final diante de 59 mil espectadores no Estádio Olímpico de Colombes, na periferia de Paris. As duas primeiras edições da Copa do Mundo da FIFA haviam ficado com a nação anfitriã, mas a escrita chegou ao fim após Piola garantir com dois gols a vitória da Itália, que jogou de preto por ordem do ditador Benito Mussolini.

Aquela não foi a única polêmica das quartas-de-final. O encontro entre Brasil e Tchecoslováquia em Bordeaux acabou em confusão com três cartões vermelhos e dois membros fraturados no empate em 1 a 1. O goleiro tchecoslovaco František Plánička quebrou o braço, enquanto o atacante Oldřich Nejedlý, artilheiro da competição quatro anos antes, teve a perna quebrada depois de empatar o confronto.

Leônidas, que abrira o marcador no primeiro jogo, foi um dos dois brasileiros mantidos para a repetição da partida. Ele marcou o gol de empate antes de o Brasil virar e garantir a classificação para a sua primeira semifinal. Após os dois confrontos, Leônidas não foi escalado pelo treinador Ademar Pimenta para a semifinal contra a Itália em Marselha. A escolha equivocada acabou custando caro, pois a Azzurra fez 2 a 1 em um jogo abaixo das expectativas. De volta para a decisão do terceiro lugar, Leônidas marcou dois gols sobre a Suécia e encerrou a campanha em que ganhou o apelido de Diamante Negro dos torcedores europeus.

A outra semifinal ocorreu entre Hungria e Suécia. Os escandinavos queriam comemorar o 80º aniversário do Rei Gustavo V com uma vitória, mas foram os húngaros que confirmaram a condição de melhor ataque da competição com uma vitória por 5 a 1 no Parque dos Príncipes. Três dos gols foram marcados por Gyula Zsengellér.

Mas aquela foi a última felicidade da Hungria de Alfréd Schaffer, que foi dominada na final pela Itália de Ferrari e Meazza, os "artesãos da vitória" conforme o jornal L'Auto do dia seguinte. Pál Titkos chegou a empatar para os húngaros logo após Gino Colausi abrir o marcador aos seis minutos, mas no intervalo a Itália já vencia por 3 a 1 graças a gols de Piola e Colausi novamente. Em todos os três gols, a jogada fora criada por Meazza. György Sárosi renovou as esperanças da Hungria aos 25 do segundo tempo, mas o rápido, forte e produtivo Piola deu números finais ao placar com mais um gol para garantir o bicampeonato da Itália.









Jogos

Oitavas-de-finalQuartas-de-finalSemifinaisFinal
4 de junho* - Paris
 Flag of the NSDAP (1920–1945).svg Alemanha 1 (2)
12 de Junho - Lille
 Flag of Switzerland.svg Suíça[1] 1 (4)
 Flag of Switzerland.svg Suíça 0
5 de junho - Reims
 Flag of Hungary.svg Hungria 2
 Flag of Hungary.svg Hungria 6
16 de junho – Paris
 Flag of the Netherlands.svg Índias Orientais Neerlandesas 0
 Flag of Hungary.svg Hungria 5
5 de junho - Lyon
 Flag of Sweden.svg Suécia 1
 Flag of Sweden.svg Suécia w/o
12 de Junho - Antibes
 Flag of Austria.svg Áustria[2] -
 Flag of Sweden.svg Suécia 8
5 de junho - Toulouse
 Flag of Cuba.svg Cuba 0
 Flag of Cuba.svg Cuba[1] 3 (2)
19 de Junho – Paris
 Flag of Romania.png Romênia 3 (1)
 Flag of Hungary.svg Hungria 2
5 de junho - Paris
 Flag of Italy (1861-1946).svg Itália 4
 Bandeira da França França 3
12 de Junho - Paris
 Flag of Belgium (civil).svg Bélgica 1
 Bandeira da França França 1
5 de junho - Marselha
 Flag of Italy (1861-1946).svg Itália 3
 Flag of Italy (1861-1946).svg Itália (PRO) 2
16 de junho - Marselha
 Flag of Norway.svg Noruega 1
 Flag of Italy (1861-1946).svg Itália 2
5 de junho - Strasbourg
 Brasil Brasil 1Terceiro lugar
 Brasil Brasil (PRO) 6
12 de Junho – Bordeaux19 de junho - Bordeaux
 Flag of Poland.svg Polónia 5
 Brasil Brasil[3] 1 (2) Flag of Sweden.svg Suécia 2
5 de junho - Le Havre
 Flag of Czechoslovakia.svg Tchecoslováquia 1 (1) Brasil Brasil 4
 Flag of Czechoslovakia.svg Tchecoslováquia (PRO) 3



 Países Baixos Países Baixos 0








ARTILHEIROS
8 GOLS
Leônidas (BRA)
6 GOLS
Zsengeller (HUN)
5 GOLS
Sarosi (HUN) e Piola (ITA)
4 GOLS
Colaussi (ITA) e Wilimowski (POL)
3 GOLS
Romeu e Perácio (BRA), Abegglen (SUI),
Keller, Nyberg e Wetterstroem (SUE)
2 GOLS
Socorro (CUB), Nicolas (FRA), Bindea (ROM) e Nejedly (TCH)
1 GOL
Gauchel e Hahnemann (ALE), Isemborghs (BEL), Fernandez,
Oliveira e Tunas (CUB), Veinante e Heisserer (FRA), Kohut,
Sas, Titkos e Toldi (HUN), Ferraris e Meazza (ITA), Brustad (NOR),
Szerfke (POL), Dobai e Baratki (ROM), Andersson e Joansson (SUE),
Bickel e Wallaschek (SUI), Kopecky, Kostalek e Zeman (TCH)
1 GOL CONTRA
Loertscher (SUI)
.


O jornalista Vittorio Pozzo se tornou o primeiro (e até hoje único) técnico a conquistar mais de uma Copa. E o fez em torneios consecutivos.
Contra a França, a Itália seria obrigada a usar uma camisa de outra cor, já que o azul estava reservado para a seleção da casa. Assim, os italianos se apresentaram com camisa, calção e meias negras, a cor do fascismo.
A Áustria foi anexada pela Alemanha nazista em 1938 e deixou de ser um país independente. Por isso, seus jogadores foram incorporados pela seleção alemã e não pôde se apresentar contra a Suécia pelas oitavas-de-final. Foi o único W.O. da história das Copas.
A Alemanha nazista se reforçou com jogadores austríacos em suas fileiras. Mas na sua partida de abertura, não passou de um empate em 1-1 com a Suíça. No jogo desempate, ocorrido cinco dias depois, a Alemanha chegou a abrir 2-0. Com o resultado, foi enviado um telégrafo a Adolf Hitler informando o resultado. Mas os suíços não se deixaram abater e viraram o placar, vencendo por 4-2, eliminando a equipe alemã.
Cuba era a única equipe da Concacaf na competição. No jogo inicial conseguiram um empate em 3-3 com a Romênia. O destaque da equipe era o goleiro Benito Carvajales, que na partida impediu cinco gols certos dos romenos. Quatro dias depois, o goleiro não participou do jogo-desempate. Em seu lugar, jogou Juan Ayra. Carvajales estava comentando a partida para uma emissora de rádio de seu país. Neste jogo, Cuba eliminou a Romênia por 2-1, com gols de Héctor Socorro e Fernandez, com Dobay fazendo o gol romeno. Foi a primeira vez na história que uma equipe da Concacaf chegava às quartas-de-final do torneio.
A Espanha era uma das favoritas ao Mundial, mas não pôde participar por estar vivendo sua Guerra Civil.
O atacante polonês Ernest Wilimowski fez quatro gols na partida de estréia, mas sua seleção perdeu do Brasil por 5 x 6 e foi eliminada. Nenhum jogador tem uma média de gols por jogo tão alta em Copas.
Nesse mesmo jogo, o Brasil usou pela primeira vez a camisa azul. Como seus adversários poloneses usavam camisas brancas (mesma cor que o Brasil usava na época), o jeito foi jogar com camisas azuis,sem escudo, que eram utilizadas nos treinamentos.
Nesse mesmo jogo, o centroavante brasileiro Leônidas da Silva marcou um gol de pé descalço. No segundo tempo da partida, com a chuva que caiu no gramado, e o barro que inundou o campo, Leônidas teve a sua chuteira estourada, descolando a sola do cabedal. Enquanto sua chuteira era consertada, o atacante fez um gol sem as chuteiras, após o rebote de uma cobrança de falta.
O Brasil enfrentou a Tchecoslováquia em Bordeaux, no jogo em que ficou conhecido como "Batalha Campal". A fraca arbitragem do húngaro Paul Von Hertzka fez com que os jogadores de ambos os lados abusassem das jogadas duras. Resultado: 1-1 após a prorrogação, com Machado e Zezé Procópio do Brasil e Riha da Tchecoslováquia expulsos. O goleiro tcheco František Plánička deixou o campo com o braço quebrado, e o artilheiro tcheco Oldřich Nejedlý levou tanto pontapé que acompanhou seu companheiro de equipe a caminho do hospital.
Com o empate, foi realizada uma nova partida de desempate dois dias depois. As duas equipes levaram seus jogadores reservas. Para surpresa geral, esse jogo transcorreu em paz e calmaria. Deu Brasil, por 2-1, com gols de Leônidas da Silva e Roberto, com Kopecky marcando para os tchecos.
Depois da vitória italiana sobre o Brasil, o jornal "La Gazzetta dello Sport", influenciado pela ideologia fascista, escreveu: "Saudamos o triunfo da inteligência branca italiana sobre a força bruta dos negros".
A Itália era a única seleção com um avião à disposição para os deslocamentos dentro da França. As demais equipes tinham de usar trem ou ônibus.
Mas nem tudo foram flores para a Itália. Após vencer a França nas quartas-de-final em Paris, a Itália foi obrigada a viajar para Marselha para enfrentar o Brasil nas semifinais. Durante o voo o avião sofreu uma pane, e foi obrigado a pousar em Toulouse. A Itália teve que viajar até Marselha de trem.
Foi a primeira Copa do Mundo transmitida por rádio para vários países do mundo. No Brasil, os mais antigos diziam que a voz do locutor falhava constantemente, às vezes por até um minuto acontecendo, inclusive, casos do gol narrado não chegar ao Brasil e o ouvinte só saber minutos depois com a reconfirmação do resultado final.



Na base da força
Anexada por Hitler, a Áustria cedeu jogadores à Alemanha para a disputa da Copa do MundoNa base da força: Anexada por Hitler, a Áustria cedeu jogadores à Alemanha para a disputa da Copa do Mundo

Inusitado
O elástico do calção de Meazza rasgou ante Brasil; mesmo assim, ele fez gol

Homem de papel
O austríaco Sindelar desafio Hitler ao se negar a defender a Alemanha na Copa

Se vira
O atacante Leônidas da Silva marcou gol de pé descalço em jogo contra a Polônia
Apressado come cru
A Alemanha vencia a Suíça por 2 a 1, quando, no intervalo, integrantes da comissão técnica alemã resolveram enviar um telegrama contando sobre a vitória. No entanto, na etapa final, a Suíça fez três gols e ficou com a vaga para a fase seguinte.
Viva voz
Os brasileiros puderam acompanhar pela primeira vez a transmissão ao vivo, pelo rádio, das partidas da seleção. Em São Paulo, milhares de pessoas aglomeravam-se nas proximidades do Viaduto do Chá para ouvir Gagliano Netto narrar os jogos.
Direto e reto
Ao contrário do que ocorreu 4 anos antes com a Itália, a anfitriã França não precisou passar pelas eliminatórias para participar da Copa do Mundo.
Luto ideológico
Durante a Copa, a Itália abandonou o tradicional azul das camisas pelo preto do fascismo, após ordens de Benito Mussolini.
Gordinhos
Os quinze dias de viagem para a França a bordo do navio Arlanza foram problema para a seleção. Os jogadores engordaram, apesar dos exercícios físicos no convés. Romeu, o que tinha mais tendência a engordar, saiu do Brasil com 70 kg e desembarcou na França com 79 kg.
Gafe oficial
O presidente da França, Albert Labrun, foi convidado para dar o pontapé inicial da Copa do Mundo, na partida em que a Suíça empatou com a Alemanha em 1 a 1. O dirigente conseguiu a proeza de errar o chute, arrancando um punhado de grama do solo e risos dos torcedores.
Tour de France
Durante os seus oito dias de disputa do Mundial, a seleção brasileira percorreu 4.000 quilômetros pelo território francês.
Pelo alto
Atual campeã mundial, a Itália era a única seleção do torneio que dispunha de avião para viajar entre as sedes da competição.
Soy loco por ti, América
O Brasil foi o único país da América do Sul que se propôs a encarar uma longa viagem de navio para participar da Copa do Mundo na França.
Estreia decepcionante
As Índias Ocidentais Holandesas, atual Indonésia, foram o primeiro país da Ásia a disputar a Copa. Levou 6 a 0 da Hungria e ficou em último lugar.


O Artilheiro
Leônidas da Silva
Leônidas da Silva
Leônidas da Silva
País:Brasil Idade:25 anos Jogos:4 Gols:7
O atacante Leônidas da Silva, considerado o inventor da bicicleta, terminou a Copa de 38 como artilheiro. Existe, porém, uma polêmica quanto ao número de gols marcados por ele no torneio. Jornais da época garantem que foram sete gols em três jogos. Na década de 40, começaram a dizer no Brasil que Leônidas teria marcado oito gols - quatro deles contra a Polônia. A Fifa diz que ele marcou sete gols, um deles no segundo duelo contra os tchecos. O próprio Diamante Negro, em suas contas, afirmou que foram mesmo sete gols.

A Máquina
A primeira bicampeã

Após o primeiro título mundial, conquistado em casa em 1934, a seleção italiana chegou à França como grande favorita. O time era ainda melhor do que o de quatro anos antes. Os italianos venceram todos os quatro jogos que disputaram. De volta ao país, os atletas foram recebidos na sede do governo, em Roma, e receberam um belo prêmio em dinheiro de Benito Mussolini.

O Craque
Silvio Piola

País:Itália Idade:25 anos Jogos:4 Gols:5
Silvio Piola
Rápido e oportunista, o artilheiro Silvio Piola era a grande referência do ataque italiano. No total, marcou cinco gols no torneio, entre eles alguns importantes como o da vitória sobre a Noruega, no tempo extra, e os dois da final contra a Hungria. Piola só passou em branco no duelo contra a seleção brasileira. Malandro e provocador, porém, fez com que Domingos da Guia o atingisse sem bola no pênalti que deu à Itália a vitória sobre o Brasil. Piola tem excelente média de gols com a Azurra: fez 30 gols em 34 partidas disputadas.

A Muralha
Frantisek Planicka

Ao lado do atacante Oldrich Nejedly, o goleiro Planicka era o grande astro da seleção da Tchecoslováquia. Os dois jogadores eram os poucos remanescentes do time vice-campeão quatro anos antes, na Itália. Planicka não conseguiu evitar a vitória brasileira nas quartas de final. Mesmo assim, foi eleito o melhor goleiro do Mundial na França.

A Surpresa
Hungria
A Hungria participava da Copa pela segunda vez. Em sua estreia, quatro anos antes, na Itália, a equipe havia caído nas quartas de final diante da Áustria. Na França, no entanto, a Hungria foi ainda mais longe. Foi à decisão com campanha perfeita, mas não conseguiu segurar os italianos na final. Mas a Hungria já havia marcado o seu nome na história.

A Garfada
Brasil 2 x 1 Tchecoslováquia
A segunda partida das quartas de final entre Brasil e Tchecoslováquia estava tensa, com 1 a 1 no placar no começo do segundo tempo. Em um chute rasteiro de Senecky, o goleiro Walter se atrapalhou e deixou a bola entrar. Sorte do Brasil que o árbitro francês não viu, e Roberto, pouco tempo depois, marcou o gol da vitória brasileira.

O Mico
W.O. da Áustria
A Suécia nem teve de jogar para passar pela primeira fase. Adversária dos suecos na estreia, a Áustria havia sido anexada pela Alemanha de Hitler três meses antes da Copa. Com isso, a Fifa decretou o W.O. da Áustria, embora vários jogadores austríacos estivessem jogando pela Alemanha em outra partida das oitavas de final.

A Zebra
Cuba 2 x 1 Romênia
Primeiro país da América Central a disputar uma Copa do Mundo, Cuba estreou contra a Romênia, que, ao lado do Brasil, era o único país a participar das três edições anteriores. No primeiro jogo, um empate de 3 a 3. No segundo, com grande atuação do goleiro Juan Ayra, Cuba virou para 2 a 1 e conseguiu a surpreendente classificação.
                                                             Acontecimentos


A Itália era a equipe a ser batida em 1938. Além de ter vencido a edição anterior da Copa, havia levado também a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Berlim, dois anos antes. E com o regime fascista aproximando-se do seu auge, conquistar o bi era questão de honra para o ditador Benito Mussolini.

Por tudo isso, a seleção italiana enfrentou também a antipatia dos torcedores franceses. Na estreia contra a Noruega, o técnico Vittorio Pozzo ordenou aos seus comandados que fizessem a saudação fascista. Mais de 10 mil torcedores presentes ao estádio Velodrome, em Marselha, vaiaram a atitude. Um ano depois começou a Segunda Guerra Mundial.

Mesmo com um elenco bastante reformulado em relação àquele que havia triunfado quatro anos antes - embora ainda fosse comandada por Pozzo e tivesse Giuseppe Meazza como craque -, a Itália não perdeu o brilho e derrubou todos os quatro adversários que cruzaram seu caminho.

O mais difícil deles foi a Noruega, rival batida na semifinal olímpica em 1936. O jogo foi praticamente uma reprise. Os italianos saíram na frente, mas cederam o empate no final e só conseguiram a vitória na prorrogação, graças a um gol de Piola. Em seguida, a Itália cruzou com a França e, apesar da pressão da torcida, não deu chances à anfitriã - venceu por 3 a 1, com mais dois gols de Piola.

Na semifinal contra o Brasil, a "Azurra" contou com a ajuda dos próprios brasileiros para conseguir a vitória. O técnico Ademar Pimenta não escalou Leônidas da Silva, principal craque do torneio até então, alegando contusão. O jogador, entretanto, teria condições de jogar a partida.

A lambança continuou em campo. Quando o Brasil já perdia por 1 a 0, Domingos da Guia agrediu o artilheiro Piola dentro da área e cedeu um pênalti aos rivais. Após receber um pontapé do italiano, o brasileiro revidou dentro da área e o juiz marcou a penalidade. Apesar dos protestos dos brasileiros, Meazza bateu com perfeição e ampliou a vantagem. No fim do jogo, Romeu ainda diminuiu para a seleção brasileira, mas não foi o suficiente para impedir a caminhada italiana rumo ao título.

O resultado de 2 a 1 acabou com a empolgação dos brasileiros, que faziam sua melhor campanha em Copas, e levou os italianos à segunda final consecutiva. Apesar de todo o clima desfavorável para a decisão, com a torcida francesa protestando nas ruas contra o fascismo, a Itália entrou em campo confiante e fez uma grande partida.

Com dois gols de Colaussi e mais dois de Piola - o melhor jogador italiano no torneio -, a "Azurra" ganhou da Hungria por 4 a 2 e se tornou a primeira seleção a levantar a taça Jules Rimet duas vezes.


Estatísticas da Copa de 1938
Jogos
Duração:16 dias Países :15 Jogos:18 Prorrogações :6 Decisões por pênaltis:0 Cidades-sede:9
Gols
Pró:84 Contra:1 Média:4,66 Jogadores que marcaram :43 Melhor ataque:15 gols (Hungria)Pior ataque:0 gol ((HOL e IHO)Melhor defesa :2 gols (Noruega) Pior defesa:12 gols (Cuba)
Público
Total:483.000 pessoas Média:26.833 por jogo.Estádios:10 Maior público:59.000 (ITA x FRA) Menor público:7.000 (SUE x CUB)
Arbitragem
Número de árbitros:13Países com árbitro na Copa:9
Dinheiro e Mídia
'Bicho' por vitória brasileira:
800 francos
'Bicho' por empate brasileiro:
400 francos
Rádios brasileiras que transmitiram a Copa na íntegra:
5
Outros Números
Semanas de treinos do Brasil em Caxambu (MG):
2
Aparelhos de rádio existentes no Brasil na época:
350.000
Assinaturas em telegrama enviado para a seleção na França:
3.000
Média de ocupação dos estádios:
72%


                                                      

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