| Copa do Mundo FIFA de 1930 1er Campeonato Mundial de Football | |
Hoje vamos falar da primeira edição do maior evento do futebol, a copa do mundo que foi em 1930 e realizada no uruguai.
A escolha do Uruguai para sediar a primeira Copa do Mundo da FIFA foi feita em meio a uma grave crise econômica na Europa. Para participarem de um torneio do outro lado do mundo, as seleções europeias teriam de realizar uma longa viagem transatlântica. Além disso, alguns clubes ficariam dois meses sem os seus principais jogadores — um problema que ainda dá o que falar hoje em dia.
A primeira Copa do Mundo da FIFA foi organizada de uma forma diferente da atual. Sem eliminatórias, 13 seleções foram convidadas, e o sorteio final só foi feito depois de elas chegarem ao Uruguai.
A França derrotou o México por 4 a 1 na partida de abertura, mas foram duas seleções sul-americanas que fizeram a final. Após chegar ao intervalo perdendo por 2 a 1 para a rival Argentina, o Uruguai virou o jogo e venceu por 4 a 2, conquistando o troféu projetado pelo escultor francês Abel Lafleur.
América do Sul recebe a maior festa do futebol
Embora o futebol tenha nascido oficialmente em 1904 com a fundação da FIFA, foi somente em 1924 com o Torneio Olímpico em Paris que o esporte passou a ser realmente internacional. Pela primeira vez, seleções de outros continentes enfrentaram os países europeus. A competição foi um sucesso total: 50 mil espectadores assistiram à vitória do Uruguai sobre a Suíça na decisão. Em 1928, contudo, muitas nações não quiseram participar do Torneio Olímpico em Amsterdã. Já era o momento de uma competição nova e independente ser criada para dar conta do crescimento do futebol profissional.
No dia 26 de maio de 1928, em Amsterdã, o congresso da FIFA decidiu que o novo torneio seria realizado em 1930 e estaria aberto a todos os países-membros. Em 18 de maio de 1929, o congresso de Barcelona elegeu o Uruguai para ser a primeira nação a sediar uma Copa do Mundo da FIFA.
Eliminatórias
Todos os países afiliados à FIFA foram convidados a competir. 28 de fevereiro de 1930 foi a data estabelecida para que os times se registrassem para o torneio no Uruguai. Brasil, Argentina,Peru, Paraguai, Chile, Bolívia, Estados Unidos e México se inscreveram a tempo, mas a data se passou sem que uma nação do outro lado do Oceano Atlântico se inscrevesse. Uma vez que viagens trans-atlânticas eram longas e caras, poucas equipes européias se interessaram o bastante para competir. A Asociación Uruguaya de Fútbol chegou a mandar uma carta à Football Association (à época ainda não filiada à FIFA). O convite foi declinado pelo comitê da FA em 18 de novembro de 1929 [1]; até dois meses antes do início do torneio, nenhuma seleção européia tinha oficialmente se inscrito.[4] O presidente da FIFA Jules Rimet interveio, junto com o governo uruguaio, prometendo custear as despesas de viagem de qualquer equipe européia.
Quatro times europeus acabaram viajando: Bélgica, França, Romênia e Iugoslávia. Os romenos (que perderam para a Iugoslávia um mês antes da competição mas venceriam a Copa dos Balcãs em 1931), dirigidos por Constantin Radulescu e treinados pelo capitão Rudolf Wetzer e Octav Luchide, embarcaram o SS Conte Verde em Gênova. Os franceses embarcaram em Villefranche-sur-Mer em 21 de junho de 1930 [2]; e os belgas embarcaram em Barcelona.[5] O Conte Verde seria o mesmo barco pelo qual viria Jules Rimet, a taça e três árbitros europeus: os belgas Jean Langenus e Henri Christophe além de Thomas Balvay, um parisiense de possível origem inglesa. O Brasil pegou o mesmo barco quando este atracou no Rio de Janeiro em 29 de junho de 1930antes que ele chegasse ao Uruguai em 4 de julho de 1930.[4] Foi no Rio que Balway soube que sua esposa havia morrido na França. Os iugoslavos viajaram no navio correio "Florida" partindo de Marselha.
A volta ao mundo
Como era o campeão olímpico e comemoraria 100 anos de independência em 1930, o Uruguai foi a escolha mais apropriada. Embora a decisão tenha sido aprovada com entusiasmo por todos os países praticantes do futebol, muitas nações europeias não gostaram muito da ideia de cruzar o Atlântico em uma viagem longa, cansativa e cara. Por esse motivo, várias federações nacionais acabaram desistindo da sua promessa de participar.
Dois meses antes do torneio, nenhuma seleção europeia havia confirmado a sua inscrição. Foram os esforços pessoais do presidente da FIFA, Jules Rimet, que asseguraram a viagem de quatro selecionados a Montevidéu: Bélgica, França e Romênia no SS Conte Verde, e a Iugoslávia no MS Flórida.
Lista dos participantes
Países participantes
Argentina
Bélgica
Bolívia
Brasil
Chile
Estados Unidos
França
Iugoslávia
México
Paraguai
Peru
Romênia
Uruguai
Estádios
O Estádio Centenário abrigou a maioria das partidas da Copa
O Estádio Parque Central na época de sua inauguração.
Todas as partidas foram disputadas na capital, Montevidéu. Três estádios foram utilizados: o Estádio Centenário, o Estádio Pocitos e o Estádio Parque Central.
O Centenário, com capacidade para 100 000 pessoas, foi construído especialmente para a Copa do Mundo. Seu nome vem da celebração do centenário da independência uruguaia. Foi o principal estádio da Copa, sendo apelidado por Jules Rimet de "O Templo do Futebol". O estádio abrigou dez das dezoito partidas do Mundial, incluindo as semifinais e a final.
O restante das partidas foi disputado em pequenos estádios freqüentemente utilizados pelos clubes de futebol de Montevidéu: o Estádio Parque Central e o Estádio Pocitos, com capacidade máxima de 20.000 pessoas cada um.
A competição
Os treze times foram divididos em quatro grupos, como todos os jogos se realizando na capital uruguaia, Montevidéu. Não houve sorteio para os grupos da Copa. Os grupos foram determinados pela FIFA.[6] Uma vez que não houve Eliminatórias para esta Copa, as duas partidas de abertura do torneio foram as primeiras partidas da história das Copas, sendo realizados simultaneamente em 13 de julho; a França bateu o México por 4 a 1 no Estádio Pocitos, enquanto osEstados Unidos derrotaram a Bélgica por 3 a 0 ao mesmo tempo no Estádio Gran Parque Central. O francês Lucien Laurent foi o marcador do primeiro gol da história das Copas do Mundo.[7]Laurent depois diria: "Estávamos enfrentando o México e estava nevando, uma vez que era inverno no hemisfério sul. Um dos meus colegas de time cruzou a bola e eu segui seu caminho cuidadosamente, dando um voleio com meu pé direito. Todos ficamos felizes mas não ficamos rolando pelo chão - ninguém percebeu que estávamos a fazer história. Um rápido aperto de mãos e voltamos pro jogo. E não houve nenhum bonus; éramos todos amadores aquela época.
Jogos da Copa de 1930
Grupo A
| SELEÇÕES | PG | J | V | E | D | GP | GC | SG | |
| 1 | 6 | 3 | 3 | 0 | 0 | 10 | 4 | 6 | |
| 2 | 4 | 3 | 2 | 0 | 1 | 5 | 3 | 2 | |
| 3 | 2 | 3 | 1 | 0 | 2 | 4 | 3 | 1 | |
| 4 | 0 | 3 | 0 | 0 | 3 | 4 | 13 | -9 |
| DATA | LOCAL | JOGOS |
| 13/07/1930 | Montevidéu | França 4 x 1 México |
| 15/07/1930 | Montevidéu | Argentina 1 x 0 França |
| 16/07/1930 | Montevidéu | Chile 3 x 0 México |
| 19/07/1930 | Montevidéu | Chile 1 x 0 França |
| 19/07/1930 | Montevidéu | Argentina 6 x 3 México |
| 22/07/1930 | Montevidéu | Argentina 3 x 1 Chile |
Grupo B
| SELEÇÕES | PG | J | V | E | D | GP | GC | SG | |
| 1 | 4 | 2 | 2 | 0 | 0 | 6 | 1 | 5 | |
| 2 | | 2 | 2 | 1 | 0 | 1 | 5 | 2 | 3 |
| 3 | 0 | 2 | 0 | 0 | 2 | 0 | 8 | -8 |
| DATA | LOCAL | JOGOS |
| 14/07/1930 | Montevidéu | Iugoslávia 2 x 1 Brasil |
| 17/07/1930 | Montevidéu | Iugoslávia 4 x 0 Bolívia |
| 20/07/1930 | Montevidéu | Brasil 4 x 0 Bolívia |
Grupo C
| SELEÇÕES | PG | J | V | E | D | GP | GC | SG | |
| 1 | 4 | 2 | 2 | 0 | 0 | 5 | 0 | 5 | |
| 2 | 2 | 2 | 1 | 0 | 1 | 3 | 5 | -2 | |
| 3 | 0 | 2 | 0 | 0 | 2 | 1 | 4 | -3 |
| DATA | LOCAL | JOGOS |
| 14/07/1930 | Montevidéu | Romênia 3 x 1 Peru |
| 18/07/1930 | Montevidéu | Uruguai 1 x 0 Peru |
| 21/07/1930 | Montevidéu | Uruguai 4 x 0 Romênia |
Grupo D
| SELEÇÕES | PG | J | V | E | D | GP | GC | SG | |
| 1 | 4 | 2 | 2 | 0 | 0 | 6 | 0 | 6 | |
| 2 | 2 | 2 | 1 | 0 | 1 | 1 | 3 | -2 | |
| 3 | 0 | 2 | 0 | 0 | 2 | 0 | 4 | -4 |
| DATA | LOCAL | JOGOS |
| 13/07/1930 | Montevidéu | Estados Unidos 3 x 0 Bélgica |
| 17/07/1930 | Montevidéu | EUA 3 x 0 Paraguai |
| 21/07/1930 | Montevidéu | Paraguai 1 x 0 Bélgica |
| SEMIFINAIS | LOCAL | JOGOS |
| 27/07/1930 | Montevidéu | Uruguai 6 x 1 Iugoslávia |
| 26/07/1930 | Montevidéu | Argentina 6 x 1 EUA |
| FINAL | LOCAL | JOGOS |
| 30/07/1930 | Montevidéu | Uruguai 4 x 2 Argentina |
Veja números de todas as copas
Destaques
O artilheiro
Guillermo Stábile
País:
Argentina
Idade:
24 anos
Jogos:
4
Gols:
8
"El Infiltrador", como era conhecido, ficou no banco de reservas no primeiro jogo da Copa - vitória, por 1 a 0 sobre a França. Na segunda partida, contra o México, entrou no lugar de Roberto Cherro e fez três gols na vitória por 6 a 3, tornando-se o primeiro argentino a anotar o chamado "hat-trick" em Copas. Guillermo Stábile balançou as redes em todas as outras partidas da competição: Chile (1), EUA (2) e Uruguai (1). Foi o artilheiro máximo, mas não conseguiu o mais importante: conquistar o 1º título mundial da Argentina.
A Máquina
Argentina
Considerada a melhor seleção das Américas na época, a Argentina tinha craques como Guillermo Stábile e Luis Monti. Os argentinos haviam enfrentado os uruguaios, segunda força do continente, 94 vezes até 1930. E o retrospecto era positivo: 38 vitórias, 26 empates e 30 derrotas. A derrota para o Uruguai na decisão, portanto, não estava nos planos.
O Craque
Hector Scarone
País:
Uruguai
Idade:
32 anos
Jogos:
3
Gol:
1
Scarone, o mais velho do grupo uruguaio, tinha ficado no banco de reservas na estreia dos donos da casa na Copa do Mundo e entrou no time no segundo jogo. Com ele em campo, os uruguaios encontraram o equilíbrio e golearam a Romênia por 4 a 0 (um gol de Scarone). O atleta do Nacional não saiu mais do time a partir daquele jogo e conquistou o justíssimo apelido de "El Mago". Hector Scarone é um dos dois únicos campeões mundiais da história do futebol que nasceram ainda no século 19 (26/11/1898).
A Muralha
Alex Thepot
O goleiro francês ficou conhecido por uma sequência de defesas espetaculares diante da Argentina, que venceu por 1 a 0, com gol de pênalti. O francês foi carregado pelos torcedores uruguaios ao final do jogo, e os policiais precisaram intervir para libertá-lo da multidão. Com o desempenho de Thepot, a França conseguiu chegar na oitava colocação do Mundial de 1930.
A surpresa
Estados Unidos
A seleção norte-americana era uma incógnita, com um grupo formado basicamente por imigrantes europeus. A equipe do técnico Bob Miller venceu os dois jogos da primeira fase (3 a 0 sobre Bélgica e Paraguai). Os ianques pararam apenas na semifinal, diante do forte time argentino. A goleada por 6 a 1, porém, não diminuiu o brilho da campanha dos EUA, que obtiveram sua melhor colocação em Copas até hoje: terceiro lugar.
A Garfada
Uruguai 6 x 1 Iugoslávia
Apesar da goleada, os iugoslavos sairam de campo chiando barbaridades contra o juiz brasileiro Gilberto de Almeida Rêgo. Os europeus abriram o placar aos 4min de jogo e poderiam ter ampliado cinco minutos depois, mas Rêgo anulou o segundo gol. Dois gols uruguaios também foram motivo de contestação.
O Mico
Seleção 'carioca'
Uma briga envolvendo a CBD e a Apea impediu o Brasil de enviar sua força máxima ao Mundial. Alguns dos melhores do país não viajaram - casos de Feitiço (Santos) e Friedenreich (Paulistano). Juntos, eles haviam sido artilheiros do Campeonato Paulista em 14 oportunidades até 1930. Apenas Araken Patuska, que estava brigado com o Santos, jogou o Mundial.
A Zebra
Chile 1 x 0 França
Os europeus eram os favoritos, mas o Chile não se intimidou, mesmo após desperdiçar um pênalti no primeiro tempo. Na segunda etapa, aos 19min, Guillermo Subiabre fez o único gol do jogo e decretou o resultado inesperado por todos no Uruguai e considerado a maior zebra desta edição do Mundial.
Curiosidades
Futebol é com o pé
O Uruguai tinha Hector 'Manco' Castro (esq.) como destaque; jogador não tinha mão direita
Estranho no ninho
Araken Patuska foi o único jogador de São Paulo a jogar a Copa do Mundo de 1930
Hat-trick
O argentino Stábile é o único a marcar três gols em uma estreia internacional
Primeiro de muitos
O 1º gol em Copa foi marcado por Lucien Laurent, na goleada da França no México
Fora de combate
A primeira grave contusão da história das Copas do Mundo ocorreu durante a partida entre as seleções de Bolívia e Iugoslávia. O boliviano Gomez sofreu uma dupla fratura na perna direita.
Bola da vez
A rivalidade entre uruguaios e argentinos não ficou restrita à disputa do título. Momentos antes da decisão, os jogadores dos dois países discutiram sobre qual bola deveria ser usada na final.
Apressadinho
O árbitro brasileiro Gilberto Almeida Rêgo deu o apito final na partida entre Argentina e França quando ainda restavam seis minutos para o término do tempo regulamentar. Irritada com a atitude, pois os argentinos venciam por 1 a 0, uma multidão de uruguaios invadiu o gramado. Após a polícia retirar os torcedores, o brasileiro reiniciou o jogo, que terminou com a vitória argentina.
Erro de ortografia
Os bolivianos resolveram homenagear o país sede em seu jogo de estreia. Cada um dos jogadores trazia uma letra estampada na camisa, que quando em posição de foto, formava os dizeres "Viva Uruguay". O que eles não contavam era com a indisposição gástrica de um jogador que levava uma letra "U", que não entrou em campo. Mesmo assim a foto foi tirada: "Viva Uru...gay"!
Brasileiros nos extremos
O brasileiro Gilberto Almeida Rêgo foi o árbitro mais velho no Mundial, com 49 anos. O jogador mais jovem também era brasileiro, Carvalho Leite, com apenas 18 anos e 65 dias.
Detalhes...
O cartaz elaborado para simbolizar e difundir a Copa trazia impressa a data 15 de julho a 15 de agosto, mas os jogos foram realizados de 13 a 30 de julho.
Cartão para quê?
Mesmo sem a existência do cartão vermelho à época, De Las Casas foi o 1º a ser expulso de uma partida em Mundiais. O fato, único na Copa de 30, ocorreu na vitória da Romênia sobre o Peru por 3 a 1, quando o zagueiro peruano empurrou o árbitro chileno Alberto Warken.
"Feito" inédito
O chileno Carlos Vidal foi o primeiro jogador a perder um pênalti em um Mundial. Ele desperdiçou a cobrança aos 35min do primeiro tempo. Apesar disso, o Chile venceu a França por 1 a 0 com gol do atacante Guillermo Subiabre na segunda etapa da partida.
Na primeira Copa do Mundo, o Brasil nem de longe demonstrou que um dia seria a potência que é hoje no esporte. A seleção chegou ao Uruguai para a disputa do Mundial dividido e sem forças para lutar pelo título. A causa do racha era a briga entre paulistas e cariocas.
Capital do Brasil na época do Mundial, o Rio de Janeiro era o grande centro financeiro, social, cultural e artístico. Mas com a economia brasileira baseada no café, São Paulo crescia rapidamente e assumia o comando político do país.
A rivalidade crescente acabou se refletindo no futebol. A divergência entre a Confederação Brasileira de Desportos (CBD), essencialmente carioca, não convidou membros da Associação Paulista de Esportes Atléticos (Apea) para tomar parte da comissão técnica que iria ao Uruguai. Em retaliação, a Apea não permitiu que clubes de São Paulo liberassem jogadores à seleção. Apenas o atacante Araken Patuska conseguiu ir à Copa porque estava brigado com o seu time, o Santos.
Sem poder contar com craques como Friedenreich, Feitiço e Del Debbio, a seleção brasileira fez uma campanha medíocre na primeira Copa do Mundo da história. Logo na primeira partida foi derrotada pela Iugoslávia por 2 a 1. Nesse jogo, o Brasil sofreu dois gols no primeiro tempo e, apesar de ter conseguido descontar na etapa final com Preguinho, não teve forças para obter a virada.
A rivalidade dentro do país era tanta que, ao saber da derrota dos "cariocas" para a seleção iugoslava, uma pequena multidão aglomerou-se em frente aos jornais paulistas para comemorar a provável desclassificação do Brasil no Mundial.
Quando entrou em campo para a segunda partida, diante da Bolívia, a seleção brasileira já estava eliminada da Copa do Mundo, porque três dias antes os iugoslavos haviam goleado os bolivianos. Assim, sem compromisso, o Brasil conseguiu a sua primeira vitória na história do Mundial: 4 a 0, com dois gols de Moderato e outros dois de Preguinho.
Além da divisão entre Rio e São Paulo, a falta de experiência internacional e o rigoroso inverno uruguaio também foram apontados como causas do mau desempenho do Brasil. A famosa "tremedeira" de alguns jogadores diante dos zagueiros iugoslavos também foi imensamente divulgada na época da desclassificação precoce.
Além disso, ficou evidente a falta de preparação física dos brasileiros, que piorou graças à desgastante viagem de 15 dias de navio a Montevidéu, no Uruguai. Durante a curta estadia da seleção no Mundial, um jogador destacou-se: o volante Fausto, do Vasco, que ganhou o apelido de "Maravilha Negra" pelo futebol elegante apresentado.
Na primeira Copa do Mundo, o Brasil nem de longe demonstrou que um dia seria a potência que é hoje no esporte. A seleção chegou ao Uruguai para a disputa do Mundial dividido e sem forças para lutar pelo título. A causa do racha era a briga entre paulistas e cariocas.
Capital do Brasil na época do Mundial, o Rio de Janeiro era o grande centro financeiro, social, cultural e artístico. Mas com a economia brasileira baseada no café, São Paulo crescia rapidamente e assumia o comando político do país.
A rivalidade crescente acabou se refletindo no futebol. A divergência entre a Confederação Brasileira de Desportos (CBD), essencialmente carioca, não convidou membros da Associação Paulista de Esportes Atléticos (Apea) para tomar parte da comissão técnica que iria ao Uruguai. Em retaliação, a Apea não permitiu que clubes de São Paulo liberassem jogadores à seleção. Apenas o atacante Araken Patuska conseguiu ir à Copa porque estava brigado com o seu time, o Santos.
Sem poder contar com craques como Friedenreich, Feitiço e Del Debbio, a seleção brasileira fez uma campanha medíocre na primeira Copa do Mundo da história. Logo na primeira partida foi derrotada pela Iugoslávia por 2 a 1. Nesse jogo, o Brasil sofreu dois gols no primeiro tempo e, apesar de ter conseguido descontar na etapa final com Preguinho, não teve forças para obter a virada.
A rivalidade dentro do país era tanta que, ao saber da derrota dos "cariocas" para a seleção iugoslava, uma pequena multidão aglomerou-se em frente aos jornais paulistas para comemorar a provável desclassificação do Brasil no Mundial.
Quando entrou em campo para a segunda partida, diante da Bolívia, a seleção brasileira já estava eliminada da Copa do Mundo, porque três dias antes os iugoslavos haviam goleado os bolivianos. Assim, sem compromisso, o Brasil conseguiu a sua primeira vitória na história do Mundial: 4 a 0, com dois gols de Moderato e outros dois de Preguinho.
Além da divisão entre Rio e São Paulo, a falta de experiência internacional e o rigoroso inverno uruguaio também foram apontados como causas do mau desempenho do Brasil. A famosa "tremedeira" de alguns jogadores diante dos zagueiros iugoslavos também foi imensamente divulgada na época da desclassificação precoce.
Além disso, ficou evidente a falta de preparação física dos brasileiros, que piorou graças à desgastante viagem de 15 dias de navio a Montevidéu, no Uruguai. Durante a curta estadia da seleção no Mundial, um jogador destacou-se: o volante Fausto, do Vasco, que ganhou o apelido de "Maravilha Negra" pelo futebol elegante apresentado.
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